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Fhemig e UFMG firmam parceria para desenvolver inteligência artificial voltada à prevenção da hemorragia pós-parto
Projeto inovador, conduzido na Maternidade Odete Valadares, busca ampliar segurança materna com modelos capazes de identificar precocemente riscos ...
04/05/2026 09h11
Por: Redação Fonte: Secom Minas Gerais

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) , em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), deu início a um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação voltado ao uso de inteligência artificial (IA) na prevenção da hemorragia puerperal - uma das principais causas de morte materna no mundo. A iniciativa, que está sendo conduzida na Maternidade Odete Valadares (MOV), marca um grande avanço institucional: trata-se do primeiro acordo dessa natureza da Fhemig, aplicado à saúde materna por meio de IA.  

Anni Sieglitz / Fhemig

Intitulado “Inovações na análise da hemorragia puerperal: ampliação de dados, estratégias de risco e validação com Inteligência Artificial”, o projeto pretende desenvolver modelos capazes de prever precocemente o risco de hemorragia após o parto. O objetivo é que a ferramenta possa apoiar equipes médicas no momento da admissão das pacientes, permitindo identificar mulheres com maior probabilidade de desenvolver a complicação e, assim, planejar condutas assistenciais mais seguras, especialmente em momentos críticos do atendimento.  

Segundo a ginecologista e obstetra da MOV, Flávia Ribeiro, uma das pesquisadoras envolvidas no projeto, os dados já estão sendo coletados e analisados. “Aguardamos resultados promissores”, afirma. Flávia também explica que um dos diferenciais do estudo é a integração de grandes bases de dados clínicos. 

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“As informações da MOV serão analisadas em conjunto com os dados da maternidade do Hospital das Clínicas (UFMG). Essa ampliação do volume de dados permitirá análises mais robustas e precisas, identificando fatores de risco que muitas vezes não são perceptíveis em análises estatísticas tradicionais”, conta a profissional.

Outro aspecto importante é a validação externa dos modelos desenvolvidos, etapa considerada essencial em pesquisas que utilizam IA. Nesse processo, os algoritmos serão testados em um ambiente hospitalar diferente daquele em que foram construídos. “Isto aumenta a confiabilidade científica dos resultados e amplia o potencial de aplicação em outros contextos assistenciais”, ressalta a médica. 

Inovação na saúde pública 

A iniciativa reforça o papel da MOV como um campo estratégico para a pesquisa aplicada e amplia o protagonismo da Fhemig em inovação. A expectativa é que o projeto contribua não apenas para o avanço científico, mas também para ampliação da segurança materna, reduzindo complicações graves no período pós-parto e salvando vidas. 

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“Ao investir em inovação e ciência de dados, a rede pública hospitalar demonstra sua capacidade de produzir conhecimento de alto impacto e de incorporar tecnologias avançadas em benefício direto da população”, explica.

A coordenadora do Centro de Informática em Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG, Zilma Reis, afirma que, com os impactos positivos da iniciativa, novas parcerias poderão ser acordadas, fortalecendo o ecossistema de inovação no âmbito da saúde mineira. “A cooperação entre a universidade e a Fhemig abre portas para o uso de ferramentas cada vez mais potencializadas em ambientes hospitalares, e promove a formação de recursos humanos qualificados e mais bem preparados para o uso ético e responsável da IA”, finaliza a pesquisadora.  

Desafio global  

A hemorragia obstétrica está entre as três principais causas de mortalidade materna no mundo e, em muitos países, ocupa o primeiro lugar entre as causas diretas de morte durante a gestação e o puerpério. Estima-se que cerca de 25% das mortes maternas globais estejam associadas a esse tipo de complicação, o que torna fundamental o desenvolvimento de estratégias capazes de antecipar riscos e fortalecer ações preventivas. 

Referência em Minas Gerais, a MOV se destaca no atendimento a gestações e partos de alto risco, oferecendo estrutura especializada, equipe multiprofissional qualificada e protocolos rigorosos de segurança. A unidade é preparada para lidar com situações complexas, como os casos de hemorragia, garantindo respostas rápidas e cuidado integral às pacientes.

Foi o que aconteceu com a costureira Karolina Ribeiro, de 30 anos, que deu à luz Maria em março. A gestante chegou à MOV com um quadro de acretismo placentário, uma complicação obstétrica grave em que a placenta se fixa de forma anormal ao músculo uterino, o que gera um alto risco de hemorragia. Após o parto, Karolina foi encaminhada para o Centro de Terapia Intensiva (CTI), onde teve um choque hemorrágico. A equipe do setor precisou atuar de forma ágil e precisa, o que foi decisivo para estabilizar o seu quadro.

“Todos os profissionais foram extremamente dedicados e humanos, o que fez toda a diferença durante minha recuperação. Apesar de tudo, reconheço que estive nas mãos de uma equipe muito preparada” relatou a paciente.