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Retiros femininos surgem como tendência global em expansão
Retiros femininos surgem como tendência global em expansão. Segundo o Global Wellness Summit, os “women’s retreats” — incluindo os voltados à menop...
05/05/2026 17h23
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Mulheres apresentam níveis mais elevados de exaustão do que homens, especialmente quando acumulam múltiplas jornadas, segundo dados da McKinsey & Company. Esse cenário está associado à sobreposição de funções profissionais, familiares e domésticas. Estudos publicados no The Lancet Psychiatry indicam ainda que mulheres têm taxas de ansiedade e depressão cerca de duas vezes maiores, especialmente em contextos de sobrecarga de trabalho e pressão para conciliar múltiplos papéis.

Nesse contexto, cresce globalmente a busca por experiências estruturadas de pausa e cuidado. Relatórios do Global Wellness Institute mostram que o turismo de bem-estar já ultrapassa US$ 800 bilhões e cresce acima da média do setor de turismo, com expansão de programas voltados especificamente ao público feminino. O Global Wellness Summit identifica os "women’s retreats" — incluindo aqueles focados em mulheres na menopausa — como uma das tendências recentes que avançam em regiões como Europa, Reino Unido e Ásia, e reflete uma transformação mais ampla no cuidado feminino, reorganizando a forma como essa fase da vida é compreendida e acompanhada, com evidências científicas sobre redução de sintomas da menopausa com manejo do estresse alinhados a mudanças de estilo de vida.

De olho neste cenário, iniciativas brasileiras passam a incorporar esse modelo de cuidado integrado. A ginecologista e sexóloga Dra. Aline Ambrósio estruturou o "Retiro Imersivo de Mulheres" a partir da observação clínica de pacientes com sinais de exaustão física e emocional. A primeira edição reuniu 21 participantes em quatro dias de imersão em Atibaia (SP), com uma proposta integrativa de práticas de regulação emocional, meditação e orientação médica.

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Para a médica, o ponto de partida é o reconhecimento de uma condição inevitável: "A impotência diante da vida existe, com doenças, lutos, perdas. A questão não é se vamos sofrer, mas como vamos voltar ao nosso centro quando a tempestade passar. Esse conceito orienta toda a proposta do retiro", afirma Ambrósio.

Com formação que reúne ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sexualidade pela Universidade de São Paulo (USP) e psicoterapia pela Escola Paulista de Psicodrama, além de estudos em Fundamentos da Psicanálise no Instituto Sedes Sapientiae, Ambrósio estruturou a imersão — apoiada em mais de três décadas de experiência — como uma extensão do cuidado clínico, inserida em um ambiente que favorece um elemento pouco presente na rotina contemporânea: a pausa. A especialista acredita que, em um cenário de hiperprodutividade, conectividade constante e sobrecarga emocional, a pausa passa a ser considerada uma estratégia de saúde, e não um elemento acessório. "Cansei de ver mulheres desmoronarem sem ferramentas para se reerguer. A proposta é desenvolver a capacidade de ressignificação das experiências e autonomia na gestão da saúde física e mental", revela.

Para Ambrósio, a proposta do retiro para mulheres parte do entendimento de que não se trata apenas de um nicho de mercado, mas da necessidade de mudança de comportamento no cuidado com a saúde feminina. Uma resposta a uma demanda recorrente observada em seu consultório.

"Não quero que a mulher dependa de algo externo para ficar bem. Quero que ela descubra a potência que já existe dentro dela para cocriar o próprio bem-estar", defende a médica.

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A proposta do retiro para mulheres conduzido por Ambrósio parte do entendimento de que não se trata apenas de um nicho de mercado, mas da necessidade de mudança de comportamento no cuidado com a saúde feminina. A estrutura combina práticas de regulação emocional, meditação e momentos de silêncio e introspecção. "Foi no silêncio e nas pausas que eu aprendi a ouvir meus próprios ruídos internos e reorganizar minha vida. É nesse espaço que muitas respostas aparecem", completa. Ambrosio, que acredita que em um cenário de hiperprodutividade, conectividade constante e sobrecarga emocional, a pausa passa a ser considerada uma estratégia de saúde, e não um elemento acessório. Para a médica, o retiro é para que mais mulheres deixem de considerar o esgotamento como uma condição inevitável. "A impotência diante da vida existe, com doenças, lutos, perdas. A questão não é se vamos sofrer, mas como vamos voltar ao nosso centro quando a tempestade passar. Esse conceito orienta toda a proposta do retiro", enfatiza.

O próximo "Retiro Imersivo de Mulheres" conduzido pela Dra. Aline Ambrósio acontece entre os dias 22 e 24 de maio de 2026 em Atibaia, interior de São Paulo.