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Estresse financeiro avança entre brasileiros
Pesquisa aponta para aumento da vulnerabilidade financeira no Brasil. Apenas um terço da população conseguiu poupar em 2025, enquanto cerca de 70% ...
07/05/2026 19h02
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Os gastos fixos mensais representam um desafio para muitas pessoas. A falta de organização financeira pode agravar o endividamento, contribuindo para o chamado "estresse financeiro", como aponta uma pesquisa recente realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Segundo o estudo Raio X do Investidor Brasileiro, principal termômetro do país sobre comportamento financeiro, apenas um terço da população conseguiu poupar em 2025.

Já um levantamento realizado pela Serasa Experian mostra que, em média, 70,5% da renda dos consumidores brasileiros estava comprometida no ano passado. Esse patamar se mantém estável desde 2022, quando a pesquisa teve início.

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Para conseguir economizar, muitos brasileiros recorreram à redução de gastos com lazer e ao maior controle de despesas consideradas supérfluas. No entanto, especialistas da área da saúde não recomendam o corte do lazer devido aos impactos negativos na saúde mental. Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Public Health destaca a importância de manter atividades de lazer no dia a dia. Segundo os pesquisadores, os "benefícios do lazer" para a saúde têm efeito positivo tanto na felicidade quanto na resiliência.

O levantamento, realizado com 451 adultos na Turquia, também apontou que "os resultados percebidos da recreação incluem orientação para objetivos, emoções positivas, superação de sentimentos negativos, fortalecimento de relacionamentos e promoção da tranquilidade".

Para Davi Cordeiro, Conselheiro da Solare Invest, empresa do setor de energia solar, a educação financeira faz parte do dia a dia de trabalho dos colaboradores. "Pensar no bem-estar de cada um é fundamental para um ecossistema empresarial saudável. E, para isso, além de oferecermos um serviço no ramo de investimentos, também realizamos a conscientização sobre a educação financeira. Acredito que toda empresa deveria contribuir nesta questão, inclusive", afirma.

Avanços lentos no mercado de investimentos

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De acordo com relatório da Anbima, o Brasil tem potencial para mais de 35 milhões de investidores, já que há interesse crescente por conhecimento sobre o tema. Ainda assim, a insegurança faz com que a caderneta de poupança permaneça como a opção mais escolhida para guardar dinheiro (22%).

A educação financeira avança lentamente no país, alcançando apenas duas em cada dez pessoas. Dados recentes mostram que "apenas 21% da população afirma já ter participado de algum tipo de aula, curso, treinamento ou palestra sobre educação financeira". Entre os investidores, essa proporção sobe para 33%, enquanto cai para 14% entre aqueles que ainda não investem.

Os efeitos práticos da educação financeira também aparecem nos dados: 39% das pessoas que já participaram de cursos ou palestras possuem perfil de investimento diversificado, percentual significativamente superior à média da população (17%).

Segundo Davi Cordeiro, falar sobre educação financeira é cada vez mais fundamental, diante do mundo que vivemos hoje. "Focamos em conteúdos explicativos nas redes sociais, aproximando os brasileiros do tema. No nosso caso, investir em energia solar ainda é algo pouco comum no país, o que exige ainda mais informação e atenção às dúvidas", explica o Conselheiro da Solare Invest.

Para Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, "embora as pessoas estejam mais atentas às possibilidades de investimento e busquem retorno e segurança para suas economias, persistem barreiras importantes para transformar o dinheiro poupado em investimentos. Nesse contexto, informação de qualidade, educação financeira e confiança seguem sendo decisivas".