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Brasil padroniza gêmeos digitais com avanço de datacenters
Gêmeos digitais permitem reproduzir digitalmente fábricas, linhas de produção, equipamentos e fluxos operacionais para identificar gargalos, testar...
05/06/2026 12h15
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou em 05/11/2025 a ABNT NBR ISO/IEC 30173:2025, norma que estabelece conceitos e terminologia para gêmeos digitais no Brasil. A padronização cria uma linguagem técnica comum para aplicações em indústria, energia e datacenters, em um momento de expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e da demanda por soluções de monitoramento, simulação e eficiência energética.

A expansão dos datacenters já aparece em projetos de grande porte. Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Campus Tamboré, da Scala Data Centers, em Barueri, tem 450 MW de capacidade de TI, dimensão que ilustra a demanda energética associada à infraestrutura digital no país.

A padronização reduz ambiguidades técnicas e favorece a interoperabilidade entre sistemas. Essas réplicas virtuais funcionam como um "espelho digital" de infraestruturas reais. Conectadas a sensores e bases de dados, podem apoiar o monitoramento de redes elétricas, geradores e datacenters, além de contribuir para manutenção preditiva e melhor uso da energia.

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A ABNT NBR ISO/IEC 30173:2025 tem caráter técnico e terminológico. A norma organiza conceitos e vocabulário sobre gêmeos digitais, mas não estabelece, por si, obrigações regulatórias ou requisitos específicos de segurança operacional, elétrica ou cibernética. Como ocorre com normas técnicas em geral, sua observância pode ganhar relevância jurídica quando incorporada a contratos, editais, procedimentos internos, regulações setoriais, auditorias ou perícias.

Gêmeos digitais como ferramenta de eficiência operacional na indústria

Segundo a McKinsey & Company, no artigo "Digital twins: The next frontier of factory optimization", os gêmeos digitais vêm se consolidando como ferramenta de eficiência operacional em ambientes industriais, especialmente diante de restrições de capacidade, escassez de mão de obra e instabilidades nas cadeias de suprimentos.

A consultoria aponta que esses modelos permitem reproduzir digitalmente fábricas, linhas de produção, equipamentos e fluxos operacionais para identificar gargalos, testar cenários e otimizar processos antes de mudanças físicas. Com isso, podem apoiar decisões mais ágeis, reduzir riscos de implementação e aumentar a resiliência das operações.

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Limites técnicos e riscos operacionais

Para Luiz Carlos Martins, gestor global com atuação em projetos de engenharia e infraestrutura: "Apesar dos ganhos potenciais, a adoção de gêmeos digitais também impõe limites técnicos. A qualidade dos resultados depende de dados confiáveis, sensores calibrados, integração entre sistemas, segurança cibernética, governança e capacitação das equipes".

Ele alerta, porém, que "em infraestruturas críticas, como energia e datacenters, modelos digitais mal alimentados ou vulneráveis podem gerar diagnósticos imprecisos, ampliar a superfície de ataque e criar uma falsa sensação de controle operacional. Por isso, a tecnologia deve ser vista como ferramenta de apoio à decisão, e não como substituta de auditorias, manutenção, normas de segurança e gestão técnica contínua".

Padronização ABNT alicerça a escalabilidade da indústria 4.0

Para Luiz Gustavo Cardoso Maria, pesquisador sênior no Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Virtuais de Produção da FIRJAN, a padronização estabelecida pela ABNT NBR ISO/IEC 30173:2025 é o alicerce fundamental para a escalabilidade na Indústria 4.0. Segundo ele, "no campo da pesquisa aplicada, o gêmeo digital transcende o monitoramento básico; ele se consolida como uma plataforma de simulação de alta fidelidade essencial para a otimização de fluxos operacionais e a validação de processos críticos".

​Luiz Gustavo complementa que experiências em projetos de retrofit e no desenvolvimento de simuladores complexos demonstram que a interoperabilidade garantida pela norma permite que modelos digitais suportem, com segurança, o ciclo de vida completo de ativos industriais. "Ao integrar a modelagem física rigorosa à inteligência analítica baseada em dados, reduzimos as ambiguidades que frequentemente limitam a eficácia da transformação digital, elevando a resiliência e a autonomia tecnológica do parque fabril brasileiro", afirma.

Soberania digital e governança de dados

Para Marcos Dias de Paula, coordenador de projetos de P&D da FIRJAN SENAI SESI e pesquisador no PPGDR-FACE-UFG, "os gêmeos digitais deixaram de ser apenas ferramentas de manutenção preditiva e passaram a integrar a governança de ecossistemas digitais críticos. A tecnologia pode contribuir para autonomia operacional, eficiência energética, segurança cibernética e sustentabilidade".

Contudo, a operação contínua gera grandes volumes de dados sobre consumo energético, comportamento operacional, eficiência térmica, ciclos de falha e telemetria industrial. Por isso, o controle, armazenamento e processamento dessas informações ganham relevância estratégica, especialmente diante da crescente dependência de plataformas digitais globais e infraestruturas em nuvem.

Segundo Marcos Dias, "a consolidação do Brasil como polo internacional de datacenters exige uma abordagem de soberania digital integrada, combinando infraestrutura energética resiliente, inteligência operacional baseada em gêmeos digitais, governança segura de dados e capacidade nacional de processamento computacional".

Integração ao metaverso industrial

Segundo Arnaldo Feitosa, engenheiro e advogado especializado em infraestrutura, "a governança de dados abre caminho para a integração dos gêmeos digitais ao metaverso industrial e pode ampliar a capacidade de análise e planejamento em setores críticos, como energia, manufatura e infraestrutura. Nesses ambientes, equipes técnicas conseguem testar cenários e planejar ajustes operacionais antes de aplicá-los em ativos físicos". "No setor energético, essa integração pode apoiar decisões mais rápidas, processos operacionais mais seguros e menor risco de interrupções", completa.

Janela de oportunidade para o Brasil

Para Diercio Ferreira, economista e CEO da Techtalent Innovation, "o Brasil reúne condições relevantes para avançar na aplicação de gêmeos digitais, especialmente pela combinação entre matriz energética renovável, expansão de datacenters, demanda por IA e padronização técnica da ABNT".