Tecnologia Tecnologia
GLP-1 melhora fertilidade masculina, diz especialista
Urologista da Huntington Medicina Reprodutiva esclarece que os medicamentos GLP‑1, como semaglutida e tirzepatida, podem melhorar parâmetros esperm...
23/07/2026 19h00
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Com a popularização dos medicamentos à base de GLP-1, como semaglutida (Ozempic) e tirzepatida (Mounjaro), cresceu também uma expectativa de que as "canetas emagrecedoras" seriam uma solução para a infertilidade masculina. O Dr. Guilherme Wood, urologista da Huntington Medicina Reprodutiva, esclarece o que há de real nessa relação e o que é ilusão.

"Muito paciente chega achando que Ozempic ou Mounjaro pode 'resolver' a infertilidade, principalmente depois de notícias e estudos recentes ganharem destaque. A base não é totalmente um mito, mas a evidência de que a medicação por si só melhora a fertilidade ainda é recente e limitada", afirma o especialista.

Verdade 1: A obesidade prejudica a fertilidade masculina

Continua após a publicidade

O pano de fundo para toda essa discussão é real e documentado. A obesidade desregula o eixo hormonal responsável pela produção de testosterona, eleva os níveis de estrogênio produzido pelo tecido adiposo e piora os parâmetros do sêmen.

Estudos mostram que homens com IMC acima de 40 kg/m² apresentam redução significativa de testosterona total e livre, além de menor produção dos hormônios que estimulam a espermatogênese. A alteração na motilidade dos espermatozoides é encontrada em até 39,9% dos homens obesos, segundo pesquisas publicadas no PubMed.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), cerca de 17% dos casais em idade reprodutiva enfrentam dificuldade de conceber. Em aproximadamente 20% dos casos, a infertilidade é atribuída exclusivamente ao homem e, quando combinada ao fator feminino, esse número supera 50%. No Brasil, os atendimentos relacionados à infertilidade masculina mais que dobraram na última década, segundo dados do Ministério da Saúde compilados pela Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

Verdade 2: O benefício parece vir da perda de peso, não do remédio em si

Continua após a publicidade

Um estudo publicado em 2025 no periódico Diabetes, Obesity and Metabolism mostrou melhora significativa na morfologia espermática em homens obesos com diabetes tipo 2 e hipogonadismo funcional após 24 semanas de uso de semaglutida.

"O benefício parece vir sobretudo da perda de peso, não do medicamento agindo diretamente no testículo. Corrigir o excesso de peso reduz a desregulação do eixo hormonal, e isso se reflete no sêmen", explica o médico. Ou seja: quando há melhora, ela parece vir da melhora metabólica e o remédio, nesses casos, seria o caminho para chegar lá.

Verdade 3: O resultado leva meses (e reduz se o peso voltar)

Para que haja melhora hormonal visível, geralmente é necessária uma perda de 5% a 10% do peso corporal. Isso leva meses de tratamento consistente. Há ainda uma explicação biológica para a demora: o ciclo completo de produção de espermatozoides dura cerca de 3 meses. Qualquer melhora no sêmen sempre vem depois da melhora metabólica.

O Dr. Wood destaca também o que acontece quando o tratamento é interrompido antes de atingir o objetivo. "O reganho de peso é frequente após parar a medicação. Junto com o peso, os ganhos hormonais e seminais tendem a regredir. O benefício não é permanente. Ele acompanha o resultado metabólico", diz.

Vale esclarecer também um ponto prático: não existe protocolo formal para suspender o medicamento antes de uma coleta de sêmen, nem evidência de que ele afete diretamente o espermatozoide de forma a exigir interrupção por segurança.

Na prática clínica, o especialista orienta que, para avaliar o real efeito do tratamento no espermograma, o ideal é aguardar pelo menos um ciclo completo de espermatogênese, ou seja, de 2 a 3 meses com peso estável, antes de realizar uma nova coleta.

Verdade 4: Quem tem peso normal não tem ganho, mas pode ter prejuízo

Os benefícios descritos pela ciência se aplicam a um perfil específico: homens com obesidade ou sobrepeso que apresentam algum grau de hipogonadismo funcional associado. Para esse grupo, corrigir o excesso de peso pode, de fato, melhorar o eixo hormonal e a qualidade do sêmen.

O cenário é diferente, e potencialmente prejudicial, para homens com peso normal que usam a medicação por estética ou como "prevenção". "Não há evidência de ganho de fertilidade nesses casos, e existe até o risco contrário: déficit calórico e perda de massa magra excessiva podem prejudicar a espermatogênese. Sem excesso de peso para corrigir, não há 'efeito bônus' para a fertilidade", alerta o Dr. Wood.

Verdade 5: A automedicação atrasa o diagnóstico de causas tratáveis

O ponto de maior preocupação do especialista é o uso por conta própria, sem investigação urológica prévia. Varicocele, hipogonadismo, obstruções e alterações genéticas são causas tratáveis de infertilidade masculina que só aparecem com avaliação especializada e que ficam invisíveis enquanto o paciente acredita que "está cuidando disso" com a medicação.

Há ainda outro risco frequentemente ignorado: uma perda de peso rápida e sem acompanhamento pode piorar temporariamente o espermograma. "A medicação é coadjuvante. Nunca substitui o espermograma, a avaliação hormonal e o exame físico completos", reforça o Dr. Wood.

Sobre a Huntington Medicina Reprodutiva

Com mais de 30 anos de história e tradição, a Huntington Medicina Reprodutiva é uma das principais referências em reprodução assistida no Brasil. Ao longo de sua trajetória, construiu reconhecimento nacional pela excelência médica, rigor científico e pelo cuidado humano oferecido a pacientes e famílias que buscam realizar o sonho da parentalidade.

A clínica atua com um portfólio completo de tratamentos em reprodução assistida, contemplando infertilidade feminina, masculina e do casal, congelamento de óvulos, fertilização in vitro, inseminação intrauterina, doação de gametas, oncofertilidade, aconselhamento genético e tecnologias avançadas de laboratório, como o sistema time-lapse, sempre com uma abordagem individualizada e acolhedora.

Atualmente, a Huntington integra o Grupo Eugin, uma das maiores e mais respeitadas redes de reprodução assistida do mundo, presente em nove países. Essa conexão internacional fortalece o intercâmbio científico, a inovação contínua e o compromisso da Huntington com a evolução da medicina reprodutiva, mantendo o paciente no centro de todas as decisões.