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Seis em cada dez empresas sofreram ataques cibernéticos
Levantamento mostra que 62% das organizações no Brasil registraram incidentes de segurança em 2025, percentual superior à média latino-americana (5...
14/08/2026 19h10
Por: Redação Fonte: Agência Dino

O Brasil segue entre os países mais expostos às ameaças cibernéticas na América Latina, mas o aumento dos ataques é apenas parte do problema. A dificuldade de identificar incidentes e compreender a própria superfície de risco também preocupa especialistas. É o que revela o ESET Security Report 2026, levantamento realizado pela ESET com profissionais de cibersegurança da região.

Segundo o estudo, 62% das organizações brasileiras registraram ao menos um incidente de segurança nos últimos 12 meses, índice superior à média latino-americana, de 52,7%. Ao mesmo tempo, 14,7% das empresas entrevistadas afirmam não conseguir confirmar se sofreram ou não tentativas de ataque, o que evidencia limitações na capacidade de monitoramento dos ambientes corporativos. Para a ESET, esse cenário amplia o risco de incidentes passarem despercebidos e compromete a tomada de decisões em segurança da informação.

A preocupação aumenta quando se observa que, entre as organizações que afirmam não ter identificado ataques, 43,3% das empresas brasileiras acreditam que podem ter sido comprometidas sem perceber, justamente pela ausência de tecnologias capazes de detectar atividades maliciosas. A conclusão do relatório é que aproximadamente quatro em cada dez empresas da América Latina ainda não dispõem da visibilidade necessária para avaliar com precisão sua postura de cibersegurança, identificar ameaças e responder rapidamente a incidentes.

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Quando um ataque é detectado, o phishing permanece como a principal porta de entrada para os criminosos. O levantamento mostra que 70,9% das empresas brasileiras que registraram incidentes foram alvo de golpes de engenharia social, superando outros vetores como acessos não autorizados (44,3%), infecções por malware (41,8%), exploração de vulnerabilidades (49,4%) e sequestro ou vazamento de informações (11,4%). Os dados indicam que, embora as técnicas utilizadas pelos criminosos evoluam continuamente, a exploração da confiança dos usuários segue como um dos caminhos mais eficazes para comprometer ambientes corporativos.

"Os dados mostram que o desafio das empresas não está apenas em impedir os ataques, mas em conseguir enxergá-los. Quanto menor a visibilidade sobre o ambiente, maior a chance de um invasor permanecer ativo por mais tempo sem ser identificado. Ao mesmo tempo, o phishing continua sendo extremamente eficiente porque explora o fator humano e acompanha a transformação digital das organizações, utilizando comunicações cada vez mais convincentes para obter acesso a credenciais e sistemas corporativos", afirma Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET no Brasil.

Manufatura, Educação e Governo estão entre os setores mais visados

A distribuição dos ataques também varia conforme o setor econômico, indicando que diferentes segmentos enfrentam desafios específicos de cibersegurança. Na Manufatura, por exemplo, 58,3% das empresas relataram incidentes de segurança, e o setor também registra uma das maiores incidências de phishing (85,7%). Já no setor Bancário e Financeiro, dois terços das instituições afirmaram ter sofrido ataques ao longo do último ano, reforçando que organizações com operações críticas seguem entre os principais alvos dos cibercriminosos.

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Em áreas que concentram grande volume de dados sensíveis, como Governo, Educação e Saúde, o levantamento aponta um cenário igualmente desafiador. Nas instituições de ensino, o phishing se consolida como o principal vetor de ataque, enquanto, no setor de Saúde, o estudo chama atenção para a possibilidade de subnotificação de incidentes, o que pode indicar dificuldades na identificação e no monitoramento de ameaças dentro dos próprios ambientes corporativos.

Para a ESET, o aumento dos incidentes e a dificuldade de parte das empresas em identificar ataques demonstram que a cibersegurança deixou de ser apenas uma questão de prevenção. Hoje, reduzir o tempo de detecção e resposta é tão importante quanto impedir que uma invasão aconteça.

Nesse cenário, investir em monitoramento contínuo, inteligência de ameaças, atualização constante dos sistemas e conscientização dos colaboradores torna-se fundamental para ampliar a visibilidade sobre o ambiente corporativo e fortalecer a capacidade das organizações de responder a incidentes antes que eles causem impactos mais severos.