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Qualidade de vida deve fazer parte da conversa sobre a LMC
No Dia Mundial da Leucemia Mieloide Crônica, estudo internacional reforça a importância do diálogo entre pacientes e médicos sobre tolerabilidade, qualidade de vida e prioridades ao longo do tratamento da doença
23/09/2026 05h20
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Os avanços no tratamento da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) mudaram significativamente a perspectiva de quem recebe o diagnóstico. Com o uso dos inibidores de tirosina quinase (ITQs), a sobrevida dos pacientes com LMC em fase crônica melhorou de forma expressiva, de modo que a maioria dos pacientes hoje apresenta expectativa de vida próxima à da população geral. Essa conquista, no entanto, abre espaço para um novo e urgente desafio: como garantir que esses anos conquistados sejam vividos com plenitude? A maioria dos pacientes necessita de tratamento de longo prazo, que pode impactar diferentes dimensões da qualidade de vida. Nesse contexto, além do controle da doença, aspectos como a tolerabilidade e as prioridades de cada paciente ganham relevância ao longo da jornada.

Viver com LMC também é viver com qualidade É com esse olhar que, em 22 de setembro, quando é celebrado o Dia Mundial da Leucemia Mieloide Crônica, a Novartis lança a campanha "Viver com LMC", ao posicionar qualidade de vida no centro da conversa sobre a experiência de quem convive com a doença.

"Quando pensamos em uma doença com a qual o paciente pode conviver por muitos anos, precisamos considerar diferentes dimensões do cuidado. O controle da LMC continua sendo fundamental, mas a tolerabilidade e a qualidade de vida também precisam entrar nessa conversa. Entender as prioridades de cada pessoa e discutir os objetivos do tratamento de forma compartilhada ajuda a construir uma jornada de cuidado mais individualizada", explica a hematologista Dra. Carla Boquimpani, líder em leucemias crônicas do Grupo Oncoclínicas e pesquisadora do HEMORIO.

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Na prática, qualidade de vida pode estar relacionada a aspectos cotidianos como família, trabalho, lazer e planos para o futuro. Para Lucilene "Luly" Laurindo, que convive com a LMC desde 2012, significa continuar fazendo aquilo que é importante para ela.

"Com o tempo, eu entendi que viver com LMC não é só fazer os exames e tomar a medicação. Qualidade de vida, para mim, é conseguir estar presente com a minha família, sair com as minhas filhas, trabalhar, me divertir e fazer as coisas que são importantes para mim. A LMC faz parte da minha vida, mas eu quero continuar vivendo, fazendo planos e vendo minhas filhas crescerem", afirma.

Qualidade de vida também precisa fazer parte da conversa A importância desse olhar aparece nos resultados do CML SUN (Chronic Myeloid Leukemia Survey on Unmet Needs), pesquisa realizada em 11 países, incluindo o Brasil, com 361 pacientes com LMC em fase crônica e 198 médicos. O estudo, do qual a Dra. Carla participou, investigou as perspectivas de pacientes e profissionais sobre aspectos como objetivos do tratamento, tolerabilidade, qualidade de vida e participação nas decisões.

Os resultados mostram que, embora médicos e pacientes compartilhem objetivos importantes, nem sempre atribuem o mesmo peso aos diferentes aspectos da jornada. Enquanto indicadores clínicos têm papel importante na avaliação médica, a qualidade de vida e a forma como o tratamento se encaixa na rotina também aparecem entre as prioridades dos pacientes.

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Para Thiago Brasileiro, diagnosticado com LMC em 2017, essa percepção ganhou significado ao longo de sua própria jornada. "Claro que queremos uma boa resposta ao tratamento — isso é fundamental. Mas também precisamos falar sobre como estamos vivendo. Um resultado excelente no exame é muito importante, mas qualidade de vida também faz parte dessa equação. Para quem convive com a LMC por muitos anos, conseguir trabalhar, estar com a família e manter aquilo que faz parte da sua vida também importa", conta Thiago.

A experiência do paciente, no entanto, nem sempre chega por completo à consulta. No CML SUN, até um em cada cinco pacientes relatou perceber efeitos adversos, mas não comunicá-los ao médico a menos que fosse questionado diretamente.

Luly relata que também precisou aprender a falar sobre o que sentia. "No começo, quando o médico perguntava se eu aguentava os efeitos do tratamento, eu dizia que sim. Eu achava que era aquilo e pronto. Com o tempo, percebi como é importante falar sobre o que estou sentindo. Hoje tenho uma relação de confiança com meu médico: ele me escuta e nós conversamos sobre o tratamento e sobre como eu estou vivendo", conta.

A participação do paciente nas decisões também foi abordada pelo estudo. Embora a maioria dos médicos relatasse que os pacientes desempenhavam um papel ativo nas decisões sobre o tratamento, quase três em cada quatro (74%) ainda se consideravam os responsáveis finais pela definição da terapia inicial. Já entre os pacientes, apenas cerca de um quarto afirmou que essas decisões eram discutidas e tomadas em conjunto com o médico. Os autores apontam a necessidade de aprimorar a comunicação e fortalecer a decisão compartilhada.

"O paciente precisa se sentir à vontade para falar sobre como está se sentindo e entender quais são os objetivos do seu tratamento. Essa troca permite discutir prioridades e expectativas ao longo da jornada. A decisão compartilhada não significa deixar de buscar o controle da doença, mas incluir nessa conversa a pessoa que vai conviver com o tratamento no dia a dia", finaliza a Dra. Carla.

Para apoiar essa reflexão, a campanha "Viver com LMC" conta com uma landing page com informações sobre a doença e qualidade de vida, além de um questionário sobre qualidade de vida, que permite ao paciente mensurar e monitorar o impacto da LMC no seu dia a dia. A proposta é ajudá-lo a refletir sobre sua qualidade de vida, registrando a evolução dos sintomas e dos aspectos do cotidiano, gerando relatórios que podem apoiar conversas mais detalhadas com a equipe médica e permitir cuidado e suporte adequados durante a jornada de tratamento.