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Epamig atua no desenvolvimento sustentável da cafeicultura de Moçambique

Cooperação, em parceria com a FAO, incluiu duas visitas à Província de Manica

Por: Redação Fonte: Secom Minas Gerais
16/04/2026 às 13h07
Epamig atua no desenvolvimento sustentável da cafeicultura de Moçambique
Acervo equipe da missão

Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig)  integraram duas missões técnicas para a província de Manica, em Moçambique. As visitas fazem parte de uma cooperação técnica Sul-Sul para a Análise do Ecossistema da Cafeicultura no país africano.

A Cooperação, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), é financiada pela Agência Italiana para a Cooperação ao Desenvolvimento (AICS).

As viagens, realizadas nos meses de novembro de 2025 e março de 2026, objetivaram o intercâmbio de conhecimento técnico, a capacitação de técnicos, produtores e estudantes, o diagnóstico de problemas e a proposição de soluções para a cafeicultura, além da compreensão das necessidades locais.

A primeira missão foi liderada pelo pesquisador Gladyston Carvalho e a segunda pelo pesquisador Vinícius Andrade. A programação incluiu encontros técnicos, com o setor público, privado e agências internacionais, treinamentos e capacitações, visitas a produtores, viveiros e unidades de beneficiamento, além do plantio de experimentos. 

“É importante mencionar que um bom trabalho já vem sendo feito. O que se quer com esses documentos é a evolução da agricultura praticada. O avanço técnico nas práticas agrícolas precisa ser prioritário, em todas as etapas do processo produtivo”, afirma Vinícius Andrade.

O trabalho enumerou alguns aspectos negativos, listou os possíveis impactos e trouxe recomendações para a melhoria. Dentre as fragilidades, estão a ausência de um programa de pesquisa em cafeicultura, falta de cultivares com adaptação específica, conhecimento técnico incipiente, problemas no manejo das lavouras, e a falta de políticas de governança. As potencialidades incluem a aptidão edafoclimática da região e oportunidade de desenvolvimento econômico e social que a atividade pode trazer.

“A cafeicultura em Moçambique apresenta um potencial estratégico de crescimento alinhado aos objetivos nacionais de redução da pobreza, geração de emprego e diversificação da economia rural. Fatores como a disponibilidade hídrica para irrigação, regiões com relevo plano a montanhoso, além de altitude entre 650 a 1250 metros, indicam que é possível produzir em quantidade e com boa qualidade sensorial”, avalia o pesquisador Gladyston Carvalho.

A missão registrou avanços significativos, como a instalação de experimentos com cultivares de café arábica na Universidade UniZambeze e em Gorongosa e o plantio de Unidades Demonstrativas de Tecnologias em 20 locais, seguindo as atividades do Programa Integrado de Desenvolvimento Agrícola (ProDai) da FAO, em Moçambique.  

“As mudas e os plantios estão ficando excelentes. A Epamig está auxiliando tecnicamente o início de um programa de melhoramento e espera que sirva para o desenvolvimento tecnológico e treinamento de futuros melhoristas nos cursos de pós-graduação”, enfatiza Vinícius Andrade.

Com base no diagnóstico, foram propostas soluções integradas organizadas em quatro eixos: fortalecimento científico e tecnológico; estruturação da governança; integração com os mercados e sustentabilidade; e continuidade da cooperação “Sul-Sul”, com a finalidade de apoiar a implantação de um Programa Nacional de Cafeicultura e a resolução prioritária dos gargalos da produção (nutrição, manejo, irrigação, insumos, pós-colheita).

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