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Brasil pode dobrar receita da indústria de software até 2030

A primeira de uma série de três publicações do Observatório Softex revela expansão da economia digital, crescimento acelerado do mercado de TIC e d...

Por: Redação Fonte: Agência Dino
17/08/2026 às 14h36
Brasil pode dobrar receita da indústria de software até 2030
Foto: Pixabay

Segundo dados do primeiro dos três cadernos que compõem o estudo TICs 2026, do Observatório Softex, dedicado à análise do desempenho da Indústria de Software e Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (ISSTIC) no Brasil e no mundo, a economia digital se consolida como um dos principais motores do crescimento econômico global. O estudo mostra que, embora o Brasil avance de forma consistente, o país ainda enfrenta desafios estruturais para ampliar sua competitividade no cenário internacional.

O caderno "O Setor de TIC no Brasil: Competitividade Global, Mercado e Perspectivas de Crescimento até 2030" aponta que o mercado global dos segmentos ISSTIC deverá movimentar US$ 4,66 trilhões em 2026, com crescimento anual de 9,25%. Dentro desse universo, a indústria de software deve alcançar US$ 1,43 trilhão, uma expansão de 14,7% impulsionada principalmente pela inteligência artificial generativa, computação em nuvem e modelos de software como serviço (SaaS). Já os serviços de TI seguem como o maior segmento em volume financeiro, com previsão de atingir US$ 1,86 trilhão.

O estudo do Observatório Softex também deixa clara a elevada concentração da economia digital global. Os Estados Unidos respondem por 41% do mercado mundial de TIC, enquanto China e União Europeia concentram 11% cada. No comércio internacional, apenas cinco países são responsáveis por 54% das exportações globais do setor, cenário que amplia as barreiras para economias emergentes ampliarem sua participação.

"Quando observamos este cenário, percebemos um nível de concentração que favorece poucas nações e cria barreiras significativas para países em desenvolvimento. É uma realidade que impacta diretamente a capacidade do Brasil de competir, inovar e ampliar sua presença internacional", ressalta Rayanny Nunes, coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.

Brasil amplia mercado interno, mas ainda depende de importações

O levantamento mostra que o Brasil ocupa posição de destaque como mercado consumidor de tecnologia, mas ainda apresenta baixa inserção no comércio internacional de TIC. Em 2024, o país movimentou US$ 19,5 bilhões em comércio exterior do setor, registrando um déficit estrutural: as importações (US$ 13,33 bilhões) foram 116% superiores às exportações (US$ 6,17 bilhões), que representaram apenas 0,5% das exportações globais.

Mesmo assim, o mercado interno mantém trajetória de crescimento. Em 2025, o setor de TICs movimentou R$ 389 bilhões, o equivalente a 3,06% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para 2026, o estudo projeta crescimento de 10,25% para a indústria de software e de 19,41% para os serviços de TI.

Outro dado de destaque é a evolução da receita operacional líquida das empresas da ISSTIC, que passou para R$ 463,6 bilhões e poderá alcançar R$ 877,5 bilhões até 2030, praticamente dobrando de tamanho caso as projeções se confirmem.

Competitividade depende de políticas estruturantes

De acordo com o Observatório Softex, os indicadores demonstram que o Brasil avançou na digitalização da economia e ampliou a relevância da indústria de software como infraestrutura essencial para empresas, governos e cadeias produtivas. No entanto, o estudo identifica gargalos que limitam uma inserção mais competitiva do país no mercado internacional.

Entre os principais desafios estão a ampliação da infraestrutura digital, a formação de profissionais qualificados, o fortalecimento da capacidade de inovação e o aumento da competitividade das empresas brasileiras em mercados globais.

"Para reduzir assimetrias e ampliar a presença global, o país precisa fortalecer políticas de capacitação, inovação e internacionalização, além de acelerar investimentos em conectividade, inteligência artificial, computação em nuvem e cibersegurança, tecnologias que deverão liderar o próximo ciclo de expansão da economia digital", conclui Rayanny Nunes.

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