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Pouco osso atrapalha implantes, mas há opções disponíveis

A reabsorção do osso alveolar após a perda de dentes reduz o volume disponível para implantes, mas não elimina, por si só, as possibilidades de reabilitação. Dr. Hugo Robertson, especialista em implantodontia, explica quais caminhos podem ser cons...

Por: Redação Fonte: Agência Dino
10/09/2026 às 16h47
Pouco osso atrapalha implantes, mas há opções disponíveis
Divulgação/Dr. Hugo Robertson

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que 34 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais perderam 13 dentes ou mais (21,3%) e que 14,1 milhões não têm nenhum dente (8,9%), conforme as tabelas de saúde bucal do SIDRA. Entre a população de 60 anos ou mais, 31,7% perderam todos os dentes — o recorte mais crítico do levantamento.

O processo tem origem na própria ausência do dente. O osso alveolar existe para sustentar o elemento dentário e, quando esse estímulo desaparece, o rebordo perde dimensão de maneira progressiva. Uma revisão científica publicada na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos aponta que, sem qualquer intervenção, a largura do rebordo alveolar pode diminuir até 50% no primeiro ano após a extração. Quanto maior o intervalo entre a perda dentária e a cirurgia, menor tende a ser o volume ósseo encontrado.

Segundo o Dr. Hugo Robertson, cirurgião-dentista com especialização em implantodontia e atuação em prótese e reabilitação oral, ter pouco osso, no vocabulário da implantodontia, significa que a altura ou a espessura do rebordo não oferece ancoragem inicial adequada para o implante. "A mensuração é feita por tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), que avalia cada região da arcada em três dimensões. Pacientes com diagnóstico semelhante podem exigir condutas diferentes, porque a maxila posterior tem altura limitada pela proximidade com o seio maxilar, enquanto a mandíbula segue outro padrão de reabsorção", explica.

Quando o enxerto ósseo entra no planejamento

A reconstrução óssea é uma das possibilidades para viabilizar a instalação de implantes. O material pode ser retirado do próprio paciente, em áreas como o mento e o ramo mandibular, ou provir de banco de tecidos homologado e de biomateriais sintéticos de origem mineral. Há ainda procedimentos específicos, como o levantamento do seio maxilar e a regeneração óssea guiada, que emprega membranas biocompatíveis para direcionar a formação de tecido em defeitos localizados. "O período de cicatrização e integração varia conforme o tipo de reconstrução, extensão do defeito, biomaterial utilizado e condições clínicas do paciente", frisa.

A questão central, detalha o cirurgião-dentista, não está em realizar ou evitar o enxerto, mas em indicá-lo com critério. "A rotina de consultório registra os dois extremos: pacientes submetidos a cirurgias dispensáveis e pacientes que deixam de receber a reconstrução quando o caso a exigia, com prejuízo para a estabilidade do implante", contextualiza.

Existem situações em que o enxerto pode ser dispensado. O implante imediato, instalado no momento da extração, ajuda a preservar o volume ósseo existente, e o posicionamento angular aproveita áreas da arcada que mantiveram osso disponível. Rebordos reduzidos, porém compatíveis com a técnica escolhida, também podem seguir sem cirurgia adicional.

O lugar do implante zigomático

Em quadros de atrofia severa da maxila, a ancoragem pode ser buscada fora do rebordo alveolar. O implante zigomático se fixa no osso zigomático, também chamado de malar, que é denso e não segue o mesmo padrão de reabsorção do osso que sustentava os dentes. A técnica costuma ser avaliada quando a maxila não comporta implantes convencionais ou quando uma reconstrução anterior não atingiu o resultado esperado.

Uma revisão sistemática que analisou 196 publicações registrou taxa de sucesso cumulativa de 98,5% em acompanhamentos inferiores a um ano e de 96,1% após mais de cinco anos, com deiscência de tecido mole, rinossinusite e falhas protéticas entre as complicações mais relatadas. Outro levantamento internacional conclui que o procedimento deve ser conduzido por profissionais com treinamento apropriado e experiência cirúrgica.

"A modalidade não funciona como substituto automático da reconstrução óssea nem se aplica a todo paciente com perda dentária avançada. Infecções ativas no seio maxilar, doenças sistêmicas descompensadas, sinusite crônica grave e determinadas configurações anatômicas figuram entre as contraindicações. Como a correção de desvios de posicionamento nessa área é complexa, o estudo prévio do caso ocupa papel decisivo", pondera o Dr. Hugo Robertson.

Planejamento cirúrgico e protético na mesma etapa

Em casos de maior complexidade, defende o especialista, a estratégia cirúrgica precisa acompanhar a definição da prótese desde o início. "O número de implantes, a inclinação de cada um, a distribuição das forças da mastigação e as condições de higienização da futura peça influenciam o resultado funcional. O fluxo digital e a cirurgia guiada permitem simular o posicionamento antes do procedimento e alinhar as duas frentes", acentua o cirurgião-dentista.

A procura por esse tipo de atendimento acompanha o envelhecimento populacional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima, em dados globais, que a prevalência média de perda total de dentes alcança cerca de 7% entre pessoas de 20 anos ou mais e 23% na faixa a partir dos 60 anos. Para quem recebe o diagnóstico de pouco osso, o caminho passa por imagem tridimensional, análise das condições clínicas e comparação entre as alternativas viáveis, etapa que antecede a definição da conduta.

Para mais informações, basta acessar: https://drhugorobertson.com.br/

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