
Quando falamos sobre autoestima, quase sempre pensamos no corpo, na pele, no cabelo e em tudo aquilo que o espelho mostra. Mas, depois de anos trabalhando com estética e convivendo diariamente com mulheres, aprendi que autoestima não começa do lado de fora.
Ela começa na maneira como uma mulher se trata quando ninguém está olhando: nas palavras que usa para falar consigo mesma, nos limites que estabelece, nas escolhas que faz e no cuidado que dedica a si mesma.
Existem mulheres que recebem elogios constantemente, alcançam o corpo que desejavam, realizam procedimentos e, ainda assim, continuam se sentindo insuficientes.
Ao mesmo tempo, encontramos mulheres que estão acima do peso ou muito magras ou que não correspondem ao padrão de beleza valorizado pela sociedade, mas demonstram segurança e reconhecem o próprio valor. Elas não permitiram que a opinião dos outros determinasse a maneira como se enxergam.
Também acontece o contrário. Existem mulheres consideradas extremamente bonitas que não conseguem reconhecer a própria beleza. Algumas carregam as marcas de uma rejeição, de uma traição, de terem sido trocadas por outra mulher ou abandonadas pelo marido. Mesmo recebendo elogios, continuam se perguntando o que havia de errado com elas.
Isso mostra que estar dentro de um padrão de beleza não garante autoestima, assim como estar fora dele não condena uma mulher à insegurança. A aparência influencia a forma como nos sentimos, mas não conta toda a nossa história.
Como biomédica e profissional da estética, conheço o impacto positivo que um tratamento bem indicado pode gerar. Quando uma mulher volta a se olhar com carinho e recupera a confiança, não estamos falando apenas de vaidade. Estamos falando de bem-estar e reencontro.
O problema começa quando ela deposita em um procedimento a responsabilidade de resolver dores que não nasceram na aparência.
A estética pode valorizar traços, tratar condições e contribuir para que alguém se sinta melhor. Mas não consegue, sozinha, curar a necessidade de aprovação ou devolver o senso de valor de quem passou anos acreditando que nunca seria suficiente.
Autoestima não é gostar de tudo em si e nem acordar diariamente se sentindo bonita e confiante. É reconhecer o próprio valor mesmo nos dias em que você não está satisfeita com aquilo que vê. É cuidar do que pode ser melhorado sem se odiar durante o processo.
Uma mulher pode emagrecer porque odeia o próprio corpo ou porque decidiu cuidar da saúde. Pode realizar um procedimento para tentar se encaixar em um padrão ou para tratar algo que realmente a incomoda. Por fora, as atitudes parecem semelhantes. Por dentro, as motivações são completamente diferentes.
Somos corpo, alma e espírito. Por isso, o cuidado exterior precisa acompanhar uma construção interior.
Você pode desejar mudar sem declarar guerra contra si mesma.
Autoestima não começa quando você finalmente gosta de tudo em si. Ela começa quando você compreende que continua sendo digna de cuidado enquanto ainda está em construção.
Como está sua autoestima hoje?